Janderson Santos, o Mago das Vendas, foi o convidado do O Próximo Nível Podcast, apresentado por Márcio Castro. Em pouco mais de uma hora de conversa, o episódio passou por gestão, vendas, empreendedorismo, marketing, contratação e inteligência artificial. A pergunta de fundo atravessou tudo: o que separa a empresa que cresce da empresa que só sobrevive? Este artigo resume as principais ideias do episódio para quem quer levar o próprio negócio ao próximo nível.
- Por que o empresário se acostuma com o que é ruim e como isso trava o crescimento.
- Os cinco motivos que fazem empresas fecharem as portas cedo.
- A diferença entre empreendedor e empresário, e por que as duas escolhas são legítimas.
- O case de um supermercado do interior de Goiás que saiu da recuperação judicial e passou de R$ 1 milhão de faturamento.
- O que é marketing de verdade, como usar IA no atendimento e a mensagem final para quem empreende.
Assista ao episódio completo do O Próximo Nível Podcast
O episódio foi ao ar em 20 de outubro de 2026 no canal do O Próximo Nível Podcast, com o título “O Mago da Venda!”. Se você prefere ouvir a conversa inteira, é só clicar na imagem abaixo para assistir no YouTube. Se quer o resumo do que mais importa para o seu negócio, siga a leitura.
Logo no início, Janderson explica o que faz hoje. Ele é empresário e dirige um grupo com empresas de educação corporativa, contabilidade e recrutamento e seleção, todas voltadas para atender donos de negócio. Ele resume o próprio papel com uma imagem simples: um “personal do empresário”. É quem fica ao lado do dono e fala “puxa mais dois, eu te ajudo”, porque, segundo ele, empresário que não é desafiado para de crescer.

Gestão empresarial: o empresário se acostuma até com o que é ruim
Uma das histórias mais marcantes do episódio começa num carro de aplicativo, passando ao lado do Rio Tietê, em São Paulo. O cheiro era forte, e Janderson pediu ao motorista para fechar o vidro. O motorista respondeu que nem tinha percebido. A gente se acostuma até com aquilo que é ruim.
Na empresa acontece igual. O dono vai se acostumando com funcionário ruim, com falta de vendas, com marketing que não funciona, com o financeiro que não fecha no fim do mês. E repete para si mesmo que “é assim mesmo”. Não é. Para Janderson, isso é um problema gigantesco dentro da empresa que ninguém resolve porque todo mundo já se acostumou com ele.
Para ir para o próximo nível, ou você aprende coisas novas, ou fica estacionado. O que você sabe te trouxe até aqui.
“Não tem gente para trabalhar”: desculpa ou falta de processo?
Márcio puxou o assunto da mão de obra, uma das reclamações mais comuns entre empresários. Janderson concorda que contratar ficou mais difícil. As pessoas estão mais seletivas, e um jovem com um pouco de iniciativa pode alugar um carro e rodar por aplicativo. Mesmo assim, ele lembra o caso do McDonald’s: uma operação tocada em grande parte por jovens no primeiro emprego, que entrega o mesmo Big Mac à 1h30 da manhã. A diferença está no processo de recrutamento, seleção e treinamento.
A proposta dele é usar a lógica do exército: recrutar o tempo inteiro. O time pode estar fechado, mas se aparecer uma pessoa boa, há espaço. “Na verdade, o time está fechado é para gente ruim.” Contratar não é colar na porta um papel escrito “contrata-se”, nem perguntar para conhecidos se sabem de alguém. Gente boa já está trabalhando, e é preciso ir buscá-la.
Os cinco motivos que fecham empresas
Janderson citou os motivos que o Sebrae aponta para tantas empresas fecharem nos primeiros cinco anos e acrescentou um da própria experiência:
- Não saber atrair e reter clientes. Atrair não basta, o cliente precisa ficar.
- Baixo volume de vendas, muitas vezes porque o negócio foi aberto “para amigos e parentes”, e não para clientes que nem conhecem o dono.
- Gestão financeira ineficiente. O sócio bom de venda costuma fugir dos números.
- Falta de conhecimento empresarial. Nem a faculdade de administração ensina, de verdade, o que é ter uma empresa.
- A “cabeça de CLT”. O dono continua trabalhando como o melhor funcionário da casa, o que mais trabalha e o que menos recebe.
O quinto ponto rendeu boa parte da conversa. Enquanto o dono está no operacional, ele vê dinheiro sendo produzido e acha que vai bem. Só que está se afogando: não tem tempo para a família e passa o fim de semana dormindo para aguentar a segunda-feira. É a diferença entre trabalhar na empresa e trabalhar a empresa. Se você se reconheceu nessa descrição, vale ler também sobre KPIs de vendas e indicadores comerciais, o primeiro passo para gerir pelos números e não pelo cansaço.
Você não lê o rótulo estando dentro da garrafa
Para Janderson, o dono não precisa que alguém o ensine a fazer o trabalho que ele já faz. Ele construiu o negócio com isso. O que falta, em determinado momento, é direcionamento e visão de fora. “É impossível ler o rótulo de uma garrafa estando dentro da garrafa.” Às vezes é preciso sair do problema para enxergar a empresa.
Empreendedorismo: empreendedor e empresário são escolhas diferentes
Um dos trechos mais comentados do episódio é a distinção entre empreendedor e empresário. O empreendedor prefere ganhar menos trabalhando para si a ganhar o mesmo trabalhando para alguém. Quando aparece um pedido que exige investimento, ele avalia e decide não arriscar. Opta por continuar pequeno. E está tudo bem: são os pequenos negócios que sustentam a maior parte dos empregos no Brasil.
O empresário é o inconformado. Diante de um investimento de R$ 250 mil, a cabeça dele vai para o que vem depois: o que aquilo pode gerar. Por isso Janderson faz um alerta direto contra o discurso de que “todo mundo pode ser empresário”:
Empreendedorismo é para todos, mas ser empresário é para alguns.
Ser empresário significa conviver com risco, aceitar meses sem retirada e, às vezes, dormir devendo. Não há demérito em ser CLT ou servidor público. Cada um no seu lugar. Outro ponto: tem gente que não dá certo como CLT porque já pensa como empresário, e é a mesma pessoa que se preocupa com o lucro da empresa onde trabalha.
A história que começou numa papelaria
Janderson contou a própria trajetória. A primeira empresa nasceu em 2008, uma papelaria aberta com cerca de R$ 7 mil, uma máquina de xerox e algumas prateleiras. Antes disso, ainda funcionário, ele descobriu uma falha tributária que fez a empresa onde trabalhava economizar R$ 50 mil no primeiro mês. O reconhecimento foi um aumento de R$ 150 no salário. Foi ali que ele pensou: “Se eu fizer isso na minha empresa, eu ganho os R$ 50 mil”.
Depois vieram a pós-graduação, a carreira de professor universitário até 2015 e a construção do grupo que ele dirige hoje. Em 2008, lembra Janderson, bastava abrir a porta que o cliente entrava. Hoje a internet é a maior concorrente, o custo de aquisição de clientes subiu e quem não tem estratégia não sobrevive.

Empresas que crescem: o case do Dia B em Aruanã
Quando Márcio pediu um case, Janderson falou de uma das primeiras mentoradas do grupo: o Supermercado Bom Preço, em Aruanã, cidade turística às margens do Rio Araguaia, no interior de Goiás. O supermercado saía de uma recuperação judicial e faturava entre R$ 400 mil e R$ 450 mil por mês.
A dona quis criar um “Dia D” de preços baixos. O concorrente se antecipou e fez o “Dia C”. A resposta foi o Dia B, de Bom Preço, feito do jeito certo: com antecipação e movimento na cidade. Teve carro de som, carreata, bala para as crianças e a própria dona no carro de som. No primeiro Dia B, o supermercado vendeu R$ 100 mil a mais em um único dia.
No aniversário de 31 anos, em janeiro, vieram 31 dias de ofertas diferentes, depoimentos de clientes e um bolo de 31 metros, com o prefeito, o pastor e o padre da cidade na comemoração. Segundo Janderson, o Bom Preço hoje é um atacarejo que fatura acima de R$ 1 milhão. Ele também citou um mentorado de Limeira (SP) com um hotel para pets que hoje roda sem depender do dono, enquanto ele lança um segundo negócio.
O ponto comum, segundo ele, é que o empresário já tinha energia. Faltava direcionamento.
Marketing: fale com o seu cliente, não com todo mundo
Márcio pediu o “marketing arroz e feijão”, e a definição foi direta: marketing é conectar a sua voz com os seus clientes. Não com todo mundo. Janderson deu o exemplo dos próprios anúncios para eventos de empresários, que dizem algo como: “Não traga seu gerente nem seu funcionário. Esse papo é com você e seu sócio”. Quem não é o público sai, e está tudo bem. Marketing é filtro.
É a lógica do Dono no Comando, o treinamento presencial em que só entram donos e sócios. Janderson contou que hoje 80% a 90% do público dos seus eventos presenciais não o conhecia antes. As pessoas vieram pela mensagem, não pelo nome dele.
Todo empresário que diz que vende para todo mundo não sabe fazer marketing. Ele dá tiro de espingarda para ver se acerta alguém.
Ele chamou isso de “coragem no bolso”. O empresário que tem dinheiro e coragem toma decisão: compra o que precisa, demite quem precisa sair, reforma a empresa e fala só com o cliente certo. Sem coragem, ele tem medo, quer vender para todos e vê um concorrente pior vendendo mais. Na avaliação de Janderson, o concorrente simplesmente sabe fazer marketing.
Inteligência artificial no atendimento: aliada, não salvadora
A conversa chegou à IA, e Janderson foi cuidadoso. A IA “deixa o inteligente mais inteligente” e não deve ser tratada como inimiga. Só que também não vai salvar a empresa de quem quer resolver com tecnologia um problema que é de gestão de pessoas.
Ele contou como usa IA no próprio negócio: no WhatsApp, no período noturno, um agente faz o atendimento inicial e tira as dúvidas. Na hora de vender, ele para e informa que um consultor vai continuar a conversa pela manhã. “A venda é um processo que, se ela errar, eu levo prejuízo.” O consultor começa o dia sabendo a dor de cada cliente. A IA otimiza o trabalho, e as pessoas continuam vendendo.
Nada é do nada: venda alta mascara problema
Outro alerta do episódio: muito cuidado quando a empresa está vendendo bem. Venda mascara problema. Quando o faturamento cai, aparecem a gente ineficiente, os departamentos travados e os processos que não funcionam. “Do nada minha empresa começou a cair”, diz o empresário. Mas nada é do nada. Foram sinais ignorados por falta de conhecimento e orientação. E o dono que vive apagando incêndio vicia na sensação de resolver na última hora, enquanto se afasta da família e da própria meta.
A mensagem final: aumente o sacrifício ou diminua o sonho
No encerramento, Janderson deixou um recado para quem empreende: tudo o que você quer na vida exige aumentar o sacrifício ou diminuir o sonho. Quem escolheu ser empresário escolheu o caminho mais difícil porque gosta de desafio. “Apaixone-se pelo jogo, não pelo resultado. Continue com vontade, buscando orientação e direcionamento.”
Obrigado ao Márcio Castro e a toda a equipe do O Próximo Nível Podcast pelo convite e pela conversa. Para acompanhar outros episódios, acesse o canal do O Próximo Nível Podcast no YouTube.
Leve essas ideias para a sua empresa
Se a conversa mexeu com você, o próximo passo é sair da garrafa e olhar a empresa de fora. O Dono no Comando chega a Curitiba em 27 de outubro e a Campinas em 29 de outubro. É um treinamento para donos e sócios, com diagnóstico da empresa em 10 pontos e plano de 90 dias. Para uma imersão mais longa, existe o Despertar Empresarial, treinamento de dois dias para empresários.
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